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postado em 15/07/2019

Memória da amnésia

Transporte de monumentos do Arquivo Municipal para o depósito do Canindé | Foto: André Turazzi
Transporte de monumentos do Arquivo Municipal para o depósito do Canindé | Foto: André Turazzi

      


Livro de Giselle Beiguelman propõe uma reflexão em torno do direito à memória em contraposição às ações e políticas de apagamento do passado


Em Memória da amnésia: políticas do esquecimento, a professora, curadora e artista Giselle Beiguelman reúne um conjunto de ensaios textuais e visuais sobre as estéticas e as políticas da preservação da memória pensadas, também, como políticas do esquecimento. A autora se interessa pelos monumentos públicos ao mesmo tempo em que estuda as relações da arte contemporânea com esses mesmos símbolos.

Introduzidos por um ensaio crítico, os capítulos tratam de projetos realizados por Beiguelman em diferentes contextos. O primeiro deles, intitulado Beleza convulsiva tropical – uma intervenção feita na 3ª Bienal da Bahia (2014), no Arquivo Histórico do Estado – discute a tensão entre natureza e cultura, o informal e o formal, o enfrentamento entre controle e descontrole que se emaranham à história cultural e urbana do Brasil.

O segundo capítulo, Memória da amnésia, dá nome ao livro e é fruto de uma exposição realizada pela autora em 2015. Com foco nos depósitos de monumentos da cidade de São Paulo, o projeto incluiu o traslado de um conjunto de obras e fragmentos de monumentos do depósito do Canindé para o interior do Arquivo Histórico municipal, onde ficaram expostos, deitados, por quatro meses.

Os dois capítulos seguintes tratam dos trabalhos da autora com mídias digitais. Um deles apresenta Já é ontem?, um longo ensaio visual que documentou, de 2010 a 2017, as transformações da zona portuária do Rio de Janeiro (o Porto Maravilha), com ênfase na demolição da Perimetral e o entorno da Praça Mauá. O capítulo seguinte, Museu das perdas para nuvens de esquecimento, discute as dificuldades de lidar com a memória das redes a partir da obra de net art O livro depois do livro.

O livro Memória da amnésia já estava pronto quando no dia 02 de setembro de 2018 um incêndio transformou em ruínas o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Diante desta tragédia, Beiguelman incluiu um último capítulo, intitulado Beleza compulsiva tropical, em que o incêndio é lido sob o signo das catástrofes e como uma metáfora do nosso passado recente. De modo geral, essas abordagens dizem respeito às disputas pela visibilidade no campo da memória e acompanham os propósitos e esforços daqueles que constroem determinadas narrativas e analisam suas consequências nos espaços das cidades.

 

Veja também:

:: vídeo


:: trecho do livro

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