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O resgate histórico e a tradição do teatro como crítica social e política

Foto: Divulgação
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“Aquele que transforma as palavras em versos transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor; ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão”
(Augusto Boal)

Oprimido. Segundo o Dicionário Analógico da língua portuguesa, opressão, submissão, tirania, sofrimento, tristeza e impropriedade são palavras que mantém relações entre si.

Augusto Boal, teatrólogo brasileiro, dedicou boa parte de sua carreira a pesquisar e produzir formas teatrais voltadas para os oprimidos. A ideia era criar condições para que esses atores sociais – dos quais ele fazia parte, afinal, fora exilado durante o regime militar – pudessem produzir bens culturais, indo além da relação de consumidor.
Assim, surgiu o Teatro do Oprimido, que, segundo Centro de Teatro do Oprimido (instituição criada por ele), “poderia ser chamado de Teatro do Diálogo que, partindo da encenação de uma situação real, estimula a troca de experiências entre atores e espectadores, através da intervenção direta na ação teatral, visando à análise e a compreensão da estrutura representada e a busca de meios concretos para ações efetivas que levem à transformação daquela realidade”.

O carioca, que é o personagem da música Meu Caro Amigo, de Chico Buarque, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, foi nomeado Embaixador Mundial do Teatro pela Unesco em 2009 e deixou uma extensa obra – mais de duas dezenas de livros publicados no Brasil e no exterior.

E é o universo de Boal que dá o tom para o espetáculo Os Que Ficam, que estreia em São Paulo no Sesc Bom Retiro, após temporada no Rio de Janeiro.

Idealizada por Sérgio de Carvalho, diretor da Companhia do Latão, a peça tem como base “A Revolução na América do Sul” e a autobiografia “Hamlet e o Filho do Padeiro”, além de outros textos (como cartas e exercícios teatrais) do autor.

“A peça retrata um grupo de teatro que ensaia ‘Revolução na América do Sul’ – uma peça de 1960 – no início dos anos 1970. Trabalhando com uma situação histórica posterior, assistimos às dificuldades de realização de arte política diante de várias pressões: censura, violência da ditadura, necessidade de sobrevivência econômica, apelo de trabalho na televisão, exílio do autor. É uma peça-ensaio, em que o procedimento teatral é exposto e a narrativa se estabelece pela música”, contextualiza o diretor.

A montagem integra atores de São Paulo, da Companhia do Latão, e outros do Rio de Janeiro, além de contar com a participação especial de Julian Boal, filho do Diretor teatral, Pesquisador, Ensaísta e Autor que faleceu em 2009.

Em cartaz até o final do mês, o espetáculo faz parte do especial Processos do Latão, onde a companhia desnuda seus métodos de criação, pesquisa e trabalho em uma série de atividades. Para encerrar a ocupação do grupo no Sesc, Juçara Marçal apresenta, no último dia do mês, o show Cancioneiro de Boal, inspirado em canções de espetáculos por ele dirigidos.

o que: Os Que Ficam
quando:

De 11 a 26/07/2015

onde:

Sesc Bom Retiro | Alameda Nothmann, 185 - Campos Elísios

ingressos: De R$ 9,00 a R$ 30,00. 

 

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