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Introdução à ilusão sonora: batida binaural

(Imagem: freepink/kjpargeter)
(Imagem: freepink/kjpargeter)

Por Thiago Ruiz*

De modo geral, podemos considerar a ilusão sonora como um tipo de música ou som capaz de “enganar” nosso cérebro. Por vezes, isso acontece quando escutamos algo que não “está” lá ou que existe de um jeito bem diferente da maneira com que percebemos esses sons.

Essas ilusões são muitas vezes exploradas por técnicos de áudio e músicos como um recurso para alcançar determinados resultados em suas criações, tal como cineastas ou artistas visuais exploram a ilusão de ótica. Já os cientistas, estudam o fenômeno para investigar como e por que escutamos.

Existem vários tipos de ilusões sonoras. Neste artigo, irei tratar da batida binaural, uma ilusão sonora que pode ser feita de modo relativamente simples em um programa de edição de áudio, como o Audacity.

A batida binaural é uma ilusão sonora criada a partir de dois tons com frequências ligeiramente distintas, por exemplo, 440Hz e 444Hz, que produzem a ilusão de uma batida quando executados ao mesmo tempo.

Esse fenômeno é possível devido aos processos neurais de conversão dos estímulos sonoros em sinais nervosos, o que acarreta numa espécie de “glitch” mental no ouvinte, e significa que o cérebro junta os dois tons após os ouvidos terem convertido esses sons em sinais nervosos.
 


A batida binaural foi descoberta pelo físico e meteorologista alemão Henrich Wilhelm Dove, em 1839. Essa descoberta ficou meio esquecida por várias décadas, até a publicação do Artigo "Auditory Beats in the Brain" (revista Scientific American, de 1973), feita pelo Dr. Gerald Oster.

Ao final do século XX, a batida binaural ganha renovado interesse no âmbito das terapias alternativas, como um alegado recurso para induzir estados mentais alterados, de relaxamento, meditação, ou vigília criativa.

Gostou? Quer saber mais? O YouTube possui muitos vídeos que experimentam com inúmeras ilusões sonoras. Abaixo, recomendo alguns links sobre o tema. Boa escuta!

Ritmo Risset – Nesta ilusão, as notas musicais parecem subir de tom entre os intervalos, indefinidamente. Como experimento, proponho acionar a opção “Loop” na barra de visualização do vídeo (clique com o botão direito do mouse para visualizar o menu):
 


Palavras Fantasmas – Quando algumas palavras são repetidas continuamente em um curto período de tempo, seu significado parece alterar. No exemplo, o que você escuta: “Nowhere”? “No Way”? “Não é”? Faça o teste:
 


Pareidolia Auditiva – A pareidolia é um fenômeno psicológico em que acabamos criando um determinado padrão para ocorrências aleatórias, quer sejam imagens ou sons. No exemplo, um piano preparado para tocar sequências musicais pré-programadas parece falar ou cantar músicas:
 

*Thiago Ruiz é educador do Espaço de Tecnologias e Artes no Sesc Vila Mariana. Formado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e mestrando em processos e procedimentos artísticos pela UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Desenvolve pesquisa artística entre configurações sonoras e visuais, por meio de instalações, objetos, traquitanas, peças sonoras, meios gráficos, entre outros. Pratica e acredita em processos criativos de aprendizagem.

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