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Por que tudo é branco?

Por André Lima, Lilian Ambar, Margareth Araújo e Maria Angélica dos Santos*

Em 1971, o lutador norte-americano Muhammad Ali, numa entrevista à rede britânica BBC, comentando que foi uma criança muito observadora, lembrou do dia em que perguntou à sua mãe: "Por que tudo tem que ser branco?”. Mesmo sem ter conseguido uma resposta, ele mostrava que desde pequeno já percebia a não representatividade negra na sociedade em geral.

Mais de 40 anos se passaram e pouco mudou. No Brasil, somos a maioria da população (54,9%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE de 2019), porém nossa representatividade não é nada proporcional. Pelo contrário, as estatísticas que envolvem a população negra no país são alarmantes: somos as maiores vítimas da violência e da pobreza, e isso acarreta uma série de outras vulnerabilidades.

O entendimento desta situação nos leva à revolta e cria um desejo de confronto. A verdade é que estamos cansados: do racismo estrutural, do descaso, do nosso silenciamento e de sermos assassinados pelo Estado. 

O racismo prejudica toda uma sociedade e, no Brasil, está presente ora de maneira velada: nos olhares, no vocabulário/expressões/piadas, na publicidade, nas representações; ora de maneira escancarada: na violência contra as mulheres negras, no alto número de jovens negros mortos, na violência contra a periferia.

É exaustivo viver na defensiva e ter que reproduzir aos nossos filhos o que ouvimos de nossos pais: leve o documento, não use touca, se a policia te parar, mantenha as mãos à vista, chame-o de senhor e não seja grosseiro. Esperamos por você, vivo, ao final do dia! 

Gera revolta sermos discriminados pela cor da nossa pele e privados de oportunidades. 

Entretanto, a revolta muitas vezes se transforma em algo positivo. E foi deste sentimento que surgiu a ideia de formar uma comissão étnico-racial de funcionários pretos do Sesc Sorocaba. Entendemos que uma forma de combater este "estado de coisas" é se manifestar, cobrar ações reparadoras e se insurgir contra a injustiça.

Esta comissão se soma a outras ações já realizadas pelo Sesc São Paulo ao longo de sua atuação, entre elas os projetos ‘Percursos da Tradição’ e ‘Do 13 ao 20 (Re)Existência do Povo Negro’. E pretende ir além: num momento em que a questão étnico-racial é discutida no mundo todo, a comissão quer contribuir para uma extensão do especial ‘Iorubrá’, realizado no Sesc Sorocaba há 3 anos durante o mês de novembro, com ideias e ações educativas que geram mais do que reflexões, mas mudança de atitudes. 

O racismo não vai desaparecer. A nossa forma de lidar com ele é que fará diferença. Portanto, unir-se, falar, debater, promover, sair do silêncio e levantar bandeiras e, mais do que isso, agitá-las, é nossa forma de contribuir nesta luta!

Quer colaborar, mas não sabe como? Leia os textos, reflita, compartilhe, espalhe essa ideia e acompanhe as ações do Sesc Sorocaba nas redes sociais para contribuir com a sua opinião. 

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*André Lima, Lilian Ambar, Margareth Araújo e Maria Angélica dos Santos trabalham em diferentes setores do Sesc Sorocaba e compõem a Comissão Antirracista Iorubrá, criada em junho de 2020 para debater questões étnico-raciais

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