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Por uma educação matemática que inclua pessoas negras

Professor Vanisio Luiz da Silva em entrevista concedida no Sesc Pompeia | Foto: Danny Abensur
Professor Vanisio Luiz da Silva em entrevista concedida no Sesc Pompeia | Foto: Danny Abensur

Inspirada pela ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras, que acontece em outubro, em todas as unidades do Sesc São Paulo, a EOnline conversou com o pesquisador Vanisio Luiz da Silva para entender com as contribuições do continente africano se encaixam na história da matemática e como o apagamento de conhecimentos produzidos pelas populações negras no Brasil interfere na educação de jovens negros e negras no país
 

Autor de uma tese de doutorado defendida em 2014 na Faculdade de Educação da USP que investiga como a africanidade brasileira pode intervir no processo de ensino-aprendizagem de matemática na escola, Vanisio Luiz da Silva, professor aposentado da prefeitura de São Paulo, dialoga em seu trabalho com uma série de pesquisadores que jogam luz sobre a produção científica e matemática tanto do continente africano quanto dos espaços de resistência cultural das populações negras no Brasil.

Vanisio tem seu trabalho situado na área da chamada etnomatemática, um campo de estudo criado nos anos 70 pelo matemático brasileiro Ubiratan D’Ambrosio, que observa essa ciência dentro de seus contextos socio-econômicos e culturais de produção. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Etnomatemáticas Negras e Indígenas da Universidade Federal de Mato Grosso (GEPENI/UFMT) e do Grupo de Estudos e Pesquisa em Etnomatemática da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (GEPEm-FE/USP), Vanisio identifica no modelo dominante de ensino de matemática no país diversas práticas que mantêm educandos negros e negras em larga desvantagem.

Em entrevista à EOnline, o professor contou como o resgate dos saberes produzidos no continente africano, muitos deles trazidos para o Brasil e reelaborados por aqui, é capaz de transformar visões racistas de mundo cultivadas durante séculos. Ele fala também da valorização da matemática presente, hoje, no dia a dia dos terreiros, das escolas de samba e dos quilombos, referências de uma africanidade rica, atual e vibrante.

 

 

Em outubro, todas as unidades do Sesc São Paulo – na capital, no interior e no litoral – participam da ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras, que conta com mais de 150 atividades, como cursos, oficinas, vivências e bate-papos que celebram o protagonismo da pessoa negra nas artes visuias e nas tecnologias. Entre essas atividades estão o bate-papo As contribuições tecnológicas africanas (22/10) e a oficina Tecnologias africanas na construção de moradias (23 e 24/10), com o professor Henrique Cunha Junior – mencionado por Vanisio na entrevista –, no Sesc São Carlos, e muito mais.

 

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