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As artes visuais e o resgate de histórias apagadas

A artista visual, pesquisadora e educadora Renata Felinto no CCSP | Foto: Danny Abensur
A artista visual, pesquisadora e educadora Renata Felinto no CCSP | Foto: Danny Abensur

Com intervenções, cursos e oficinas, em outubro, em unidades do Sesc, sobre a representação e a atuação de mulheres negras nas artes visuais, na ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras, Renata Felinto concedeu uma breve entrevista à EOnline, no Centro Cultural São Paulo, durante a montagem para uma mostra que abriu por lá no mês passado

Desde muito pequena, a artista visual negra Renata Felinto desenvolveu grande interesse pelas formas, pelo desenho e pela pintura. Hoje doutora em artes visuais pela Unesp e professora na Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará, Renata cresceu em territórios periféricos e de forte produção cultural negra na cidade de São Paulo – entre os bairros do Mandaqui e da Vila Guilherme, na zona norte, e a Cohab II, em Itaquera, na zona leste.

"Quando eu entro na universidade", conta a artista, que realizou sua graduação em Artes Visuais, na Unesp, entre 1998 e 2001, "eu percebo que não tem nas aulas de história da arte nenhum momento onde essas referências de lugares da onde eu vim e me criei aparecem – porque o foco é pensar o centro da cidade de São Paulo, quando se pensa nas relações da cidade com a história da arte – e também não aparecem do ponto de vista da história da arte ocidental – ou do que a gente está chamando de história 'geral' da arte".

É nessa época – também a partir de sua pesquisa e atuação como arte-educadora em exposições e instituições culturais – que Renata se dá conta da existência de diversos artistas não-brancos que foram excluídos das narrativas mais dominantes e que, ao longo da história do país, trabalharam e têm trabalhado questões diretamente relacionadas à cultura e à trajetória das populações negras, articulando reflexões a partir, justamente, das artes visuais, por exemplo.

Nesse sentido, figuras como Emanoel Araújo (1940) e Abdias do Nascimento (1914-2011), entre muitos outros, conta Renata, têm tido um papel importante ao procurar, a partir da cultura material – da reunião de documentos e objetos –, recontar a história do Brasil na perspectiva da cultura e da arte. Isto somado às lutas da sociedade civil por direitos e o exemplo de experiências  bem-sucedidas nas últimas décadas, como de alguns grupos negros nos EUA, têm impulsionado mudanças e a valorização de referências históricas e estéticas diferentes, que permitem pensar outras formas de viver e estar no mundo.

Sobre os desafios que o Brasil enfrenta no campo da educação para avançar com a difusão da história e da cultura afro-brasileira e indígena, como manda a lei nº 11.645/2008, a EOnline conversou com a artista. Assista abaixo.

 

 

Renata Felinto conduz uma intervenção, dia 13 de outubro, no Sesc Guarulhos. Na mesma unidade, ministra um curso nos dias 16 e 17. No Sesc São Caetano, a artista realiza uma oficina no dia 15 e uma performance no dia 18. E, no dia 19, participa de um bate-papo no Sesc Santos.

Essas programações fazem parte da ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras, que conta, em outubro, em todas as unidades do Sesc São Paulo – na capital, no interior e no litoral –, com mais de 150 atividades que celebram o protagonismo da pessoa negra nas artes visuias e nas tecnologias.
 

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