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Mulheres na Música de Câmara – Agora é que são elas

Eugène Delacroix - La liberté guidant le peuple
Eugène Delacroix - La liberté guidant le peuple

Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco (Duo Gisbranco), Jennifer Stum (Camerata Ilumina), Sally Beamisch (compositora presente no repertório do Trio Apaches), Christina Pluhar (L’Arpeggiata), Lydia Chernicoff e Andrea Casarrubios (Vox Luminis), são algumas das mulheres que estarão presentes nesta edição do Festival Sesc de Música de Câmara, cuja curadoria também leva o nome de uma mulher, Claudia Toni.

Não à toa, música é um palavra feminina, que em sua origem deriva do grego e era uma forma adjetiva de musa. Entre os séculos XIV e XV, com a renovação cultural do renascentismo, a mulher passa a ser musa inspiradora para os artistas da época. Porém, acreditava-se que ela não possuía qualidades emocionais e intelectuais necessárias para aprender, além do que isso poderia atrapalhar suas funções principais de mãe e esposa; as mulheres que se atreviam a entrar no universo musical eram consideradas indignas, e isso explica os poucos nomes femininos nessa época.

Há tempos a mulher vem conquistando, gradualmente, seu espaço no mundo, deixando de ser apenas aquela figura que vive em função do marido e filhos para ser protagonista de sua própria vida. E na música de câmara não tem sido diferente.

No século XIX, no Romantismo, onde paixões e sentimentos passam a ser mais aceitos socialmente, a mulher começa a se impor como um ser com vontades e desejos, surgindo assim mais musicistas. Contudo, elas ainda têm muita dificuldade em chegar às salas de concertos e suas obras quase nunca são publicadas.

Na história da música de câmara, Clara Schumman é o exemplo clássico dessa luta feminina. Ela teve que lutar contra a misoginia e a resistência da época, mas tendo seu talento reconhecido pelo amigo de longa data, Johannes Brahms, compôs uma série de peças para piano, orquestra e música de câmara, sendo uma das mais admiráveis executantes do repertório romântico e respeitadas até hoje como um dos maiores talentos musicais de sua época.

O que temos hoje, no Festival Sesc de Música de Câmara, não são apenas mulheres protagonistas de suas vidas, mas sim, em cada uma delas, o resultado da força, luta, conquista e soberania de todas as outras.

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A segunda edição do Festival Sesc de Música de Câmara acontece entre 22 de novembro e 4 de dezembro de 2016, em 11 Unidades do Sesc na capital, interior e litoral, além de espaços como a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, no centro de São Paulo e o Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera. São 12 conjuntos convidados, 47 concertos e uma intervenção, mais de 120 intérpretes, em repertórios que vão do antigo ao contemporâneo, em abordagens inovadoras. Para conferir a programação completa, clique aqui.

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